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Ratos de Porão

Ratos de Porão

Apr 28th 2019 @ Opinião

Porto Alegre, Brazil
I Was There
Sunday, April 28th, 2019
7:30 PM
Opinião
Rua José do Patrocínio, 834, Cidade Baixa, Porto Alegre, Brazil
8 RSVPs
Ratos de Porão em Porto Alegre/RS
30 anos do disco "Brasil"
Brasil é o quarto álbum da banda brasileira Ratos de Porão, com versões em português e inglês.
Em 1989, o país vivia um caos econômico. O fim do Plano Cruzado em 1986 jogou a economia do país em um inferno, e existia um pessimismo enorme. Além disso, o então presidente José Sarney já havia largado o país de mão, deixando para seu "herdeiro" político (no caso, o chamado “caçador de marajás” Fernando Collor de Melo, que venceu Lula no segundo turno), ou seja, não é de hoje que o brasileiro quer um messias no poder, não um presidente, e essa herança bananosa criou o cenário perfeito para o quarteto soltar um disco.
Se em “Crucificados Pelo Sistema” de 1984 a banda tinha uma aproximação vai voltada ao Punk Rock, em “Descanse em Paz” de 1986 surgia o lado Hardcore do grupo, e em “Vivendo Cada Dia Mais Sujo e Agressivo” já surgia o lado pioneiro do Crossover , em “Brasil”, disco de 1989, vemos a afirmação do quarteto como uma potência do cenário nacional. E não é à toa que ele é adorado como a obra-prima do grupo por muitos fãs.
O quarteto de São Paulo havia caído nas graças da Roadrunner Records, sendo “Brasil” o primeiro de uma série de discos pelo selo. E é justamente nele que, com a mesma formação, e sendo o terceiro disco, que o grupo chega ao seu ápice de criatividade. E com o suporte e investimento de um selo dessa envergadura, faltava apenas terem uma produção de primeiro mundo.
E tiveram! “Brasil” foi gravado em Berlim, na então Alemanha Oriental, sob a tutela do produtor Harris Johns, o mesmo que conhecemos de trabalhos com GRAVE DIGGER, HELLOWEEN, SODOM, TANKARD, KREATOR e outros tantos.
Foi a primeira vez que o grupo teve uma produção de primeira, e a qualidade sonora é perfeita. Sim, pesada e clara, a sonoridade de “Brasil” nos permite enfim ver que por trás da serra elétrica Crossover do grupo, existem detalhes musicais preciosos, arranjos bem cuidados.
Os riffs espetaculares de Jão, cozinha direta e brutal de Jabá e Spaghetti, e os vocais cavernosos e violentos do João Gordo, mostra que os RATOS não era apenas uma promessa da música pesada nacional, mas sim uma grande realidade, criando alguns dos maiores clássicos de sua discografia, como “Amazônia Nunca Mais”, “Aids, Pop, Repressão”, “Beber Até Morrer”, Porcos Sanguinários”, dentre outras.
A brutalidade do instrumental, passando pelas letras ácidas, e a capa, das mais críticas, foi motivo de grande polêmica na época, mas que apenas aumentaram a popularidade da banda.
As artes da capa e contracapa são uma dura crítica para vários setores da sociedade, criada pelo conhecido cartunista Francisco A. Marcatti Jr., o conhecido Marcatti.
O massacre ideológico dos índios, os contrastes sociais de ricos e pobres, a degradação ambiental, o roubo dos mais pobres pelos mais abastados… Tudo num imenso retrato da terra do “Samba, futebol e Carnaval”, um país para gringo ver (o que não mudou nem um pouco nesses anos todos).
Nada disso daria jeito se, por trás de tanto investimento e esforço externo, o grupo não tivesse boas composições. E é aí que a coesão entre João Gordo (vocais), Jão (guitarras), Jabá (baixo) e Spaghetti (bateria), que criaram canções ótimas, com boa dose de peso, as melodias estão bem assentadas. A banda se mostra mais técnica que antes, mas sem que sua música se torne complexa (o que mataria a essência do grupo).
Gravado em duas versões (inglês e português), “Brasil” tem 22 canções, algumas delas autênticos clássicos do Rock nacional. Algumas estão no repertório ao vivo do quarteto até hoje, pois são icônicas. Existem pauladas bem sérias, que nos levam a refletir, como “Amazônia Nunca Mais”, a paulada “Retrocesso”, o hino “Aids, Pop, Repressão” (uma paródia crítica com o lema “Sexo, Drogas, Rock ‘n’ Roll”, já que a época era um caos), as essenciais “Lei do Silêncio” e “Plano Furado II”, a destruidora de ouvidos “Crianças Sem Futuro”, as com mais presença do Hardcore “Farsa Nacionalista” e “Vida Animal”, e a pá de cal na alienação formada pela trinca de ases “Máquina Militar”, “Terra do Carnaval” e “Herança”. Mas há espaço para alguns momentos bem humorados, como “Gil Goma” (uma piada com o repórter policial Gil Gomes, onde João mostra seu talento na arte de imitar as pessoas), e “O Fim” (parece uma instrumental, mas se nunca foi até o final da canção tenha paciência, ouça e morra de rir).
E para aqueles que procuraram a versão CD que tem tanto o “Brasil” como o “Anarkophobia” juntos, ainda existe o cover para “Jardim Elétrico”, dos MUTANTES. E uma dos óbvios destaques do "Brasil" que é a clássica “Beber Até Morrer”, um autêntico clássico do grupo, que embalou toda uma geração desiludida com as perspectivas do país nos braços da bebida.
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